sexta-feira, 12 de março de 2010

O Porvir


A posição da Missão Batista do Caminho do Brasil (Agebam) sobre a escatologia não é partidária de uma linha, se não aquela que a própria Bíblia declara. Em todos os casos vemos posições particulares que dividem e criam contendas entre os irmãos. A posição é clara para nós, não nos envolveremos com cálculos e ‘achismos’ modernos para estabelecer nossas posições doutrinárias ou visionarias, como fizeram igrejas heréticas e errantes. Cremos como dita nossa declaração doutrinária. O mundo está prosseguindo para o seu fim, a volta de Cristo ocorrerá no dia que ninguém sabe, na hora que ninguém cuida, será visível e gloriosa, e trará um juízo final para todo mundo, anjos e homens. No entanto, o Amilenismo aparece como mais próximo da nossa posição. Os artigos à frente defendem nossa posição de crer. Mas como batistas devemos respeitar a posição diferente ou especial que qualquer irmão porventura adote. (Lins, C.D.F.)

Tomando por base Cristo o “canon in cânon”, isto é, interpretamos os textos bíblicos a partir de Cristo; os textos dos apóstolos devem ser interpretados à luz do que nosso Mestre ensinou, prossigamos:

“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. (Mat 24.29-32).

1. A Volta de Cristo – será única e gloriosa, não será secreta; será precedida pelos sinais de sua eminência que são o desmoronamento do cosmos; causará lamento e desespero total aos ímpios e infiéis. Nessa ocasião irá determinar o Juízo Final e a sua ira. Homem nenhum pode calcular ou saber o momento da Volta de Cristo.(v.29, 30, 36; Ap 6.12-17). O escurecimento do sol e a falta de brilho da lua não é um eclipse transitório ou momentâneo, é o apagamento total e definitivo dos luminares, pois o Ap Pedro esclarece que os mesmos serão desfeitos (cf 2ª Pedro 3.12). O único brilho que aparecerá será o da glória de nosso Deus e Messias.

2. Arrebatamento dos Eleitos – vemos no texto acima que a retirada dos eleitos (v.31) ocorre na ocasião do segundo advento do Mestre e que, sua vinda será manifesta a todas as gentes, não uma visita imperceptível à humanidade(vs 27,30). Partindo desse texto básico poderemos interpretar sem obscuridade os textos apostólicos como de Paulo em I Tessalonicenses 4.14-18 que diz:

“14 Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. 15 Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.16 Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.17 Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18 Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.”

Paulo dá o detalhe apenas do encontro nos ares, mas não discursa que há uma volta imperceptível à humanidade e nem um arrebatamento secreto. Outro detalhe é o que diz o v.29 de Mateus 24, é que esse recolhimento ou arrebatamento se dá após “as aflições” dos últimos dias, não antes como alguns advogam. Os que Deus “tornará a trazer com Jesus”, o texto I Ts 4.14 se refere aos que estão descansando nas sepulturas os quais não precederemos, nós os que estamos vivos. Cremos por isso que o arrebatamento não será secreto e será no momento do aparecimento do sinal do advento de Cristo. Não precedendo um período de Tribulação, mas depois das “aflições” dos últimos dias! (cf Mat 24.31; I Ts 4.7). O Texto paulino que fala do arrebatamento, diz que o próprio Senhor descerá do céu com estrondo (v. 17), diferentemente da idéia que ficaria nas nuvens esperando não percebido pelas gentes.

O Texto de João no livro do Apocalipse onde temos a visão das pessoas que vieram da grande tribulação (cf Ap 7.4, 14); no texto, nem no contexto não vemos arrebatamento precedendo a chegada dos crentes no céu. Temos a chegadas de crentes para a consolação de Deus, como Paulo ordena aos crentes de Tessalonisenses (vf 1 Ts 4.18).

Lemos que João “ouviu” – e não “viu” - o número dos assinalados, isto é, aqueles que pertencem ao Israel de Deus; depois “viu” os que vieram de grande tribulação (sem a impregnação do preceito pré-milenista que o artigo definido “da”, pois o propósito da revelação era mostrar que os crentes perseguidos pela besta - Deocleciano - estavam diante do trono de Deus e o Senhor Jesus está lhes apascentando). O que representa uma grande consolação aos crentes leitores endereçados do livro revelatório de João. João não viu os 144.000; João ouviu o número(v.4) dos assinalados que representam a geração completa dos eleitos de Deus. Após ter ouvido o número dos assinalados, “viu” (v.7) numa visão seguinte a multidão dos que vieram de uma grande aflição (v.14), porém não vemos menção de arrebatamento secreto. Os assinalados são os que estão com os nomes escritos no Livro da Vida do Cordeiro. Nessa visão ou temos revelado – o que é mais provável – as almas dos crentes afligidos pelas perseguições e tribulações. O inicio do texto do capítulo 7 de Apocalipse de João mostra que os eleitos serão protegidos pelo selo de Deus das coisas que haverá de ocorrer com a ação dos quatro anjos(vs. 1-3) não arrebatados nem retirados da Terra.

3. Juízo final – ocorrerá um único Juízo Final que é o mesmo Tribunal de Cristo e o Grande Trono Branco (Mat 25.31; II Cor 5.10; Rm 14.10; Ap 20.11).

4. Ressurreição – será por ocasião do retorno de Cristo – o último dia; ressoada a trobeta de Deus para o comando. Os mortos em Cristo serão ressuscitados primeiro e, depois nós os salvos vivos seremos transformados à tão esperada incorruptibilidade física. A primeira ressurreição não é física, mas da justiça de Cristo ou da regeneração que impede o efeito da segunda morte sobre os regenerados!(cf João 5.24, 25, 29; 6.39, 40; 11.24; I Cor 15.51, 52; Ap 20.5, 6; Col 3.1-3).

5.O Milênio – é o tempo da exaltação do Messias no Céu, onde Reina com e pela Igreja, até seu retorno à Terra. Os mil anos não são literais, mas um tempo longo e limitado pelo Senhor da História da humanidade que é Deus; que o Evengelho será pregado e a igreja reinando em vida e participando graciosamente de seus sofrimentos e disciplina. O aprisionamento de Satã se dá neste milênio para não impedir o Ministério do Espírito Santo que o retém impedindo de enganar e enfurecer as nações pagãs; está limitado no seu campo de ação; o ministério do Espírito Santo marca este tempo e impede o malígno; sua soltura se dará no fim deste tempo prolongado e limitado por Deus, com o surgimento coincidente da apostasia e do cognominado filho da perdição. Este representante do diabo se assentará no lugar de Deus, numa provável restauração do Templo de Jerusalém; o Adversário será destruído com o sopro da boca do Senhor no resplendor de sua vinda (cf Ap 20.1-7; Rm 5.17, 21; Fp 1.29; 3.10; Col 1.24; 2ª.Tm 1.8; 2.3; Hb 12.8; 2ª. Tss 2.3, 4, 7, 8).

6.Grande Tribulação – tempo de tribulação e perseguição dos servos de Deus e ocultamente às igrejas fiéis ao Caminho; culminará com a apostasia praticamente total, um perído final de extrema convulsão e propícia para o filho da perdição prometer paz e segurança, findando com o advento do Senhor o qual destruirá com o sopro de suas narinas(cf Mat 24.15-29; Luc 18.8; 1ª Ts 5.3; 2ª. Ts 2.3).

(c) - Agebam, CDF, Lins - Outubro de 2008.
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