segunda-feira, 5 de abril de 2010

*A Importância da Pregação da Doutrina da Eleição nos dias de hoje.*


AUTOR: LINS,C.D.F. -
Igreja Batista do Hiléia, Manaus-AM,2010.

“Esta doutrina era, para os batistas, a espinha dorsal da pregação do evangelho e do empenho missionário. A adoração, o evangelismo e o culto dos batistas do Sul, por oitenta anos, foram moldados e direcionados por esta preciosa verdade. Hinos, confissões de fé, catecismos e padrões doutrinários assinados por professores de seminários, todos refletiam o reconhecimento universal desta doutrina entre os batistas...Hoje muitos batistas do Sul, e a maioria dos evangélicos, consideram a doutrina da eleição como não-essencial, prejudicial ao evangelismo, uma ameaça ao zelo missionário, uma contradição ao amor e à justiça de Deus, um fator que causa divisão nas igrejas.”(*)

Acima temos um trecho de um livro de um escritor batista do sul dos E.E.U.U. falando da situação atual e geral no meio evangélico e batista concernente ao ensino desta doutrina maravilhosa e tremenda. No entanto creio que, hoje mais do que nunca, independente da posição geral ou particular que os batistas tomem na atualidade e, também, não sucumbindo aos extremos do hipercalvinismo e do arminianismo peverso, é necessária a pregação em nossos púlpitos deste ensino.

O evangelho pregado em muitas igrejas, incluindo batistas, longe já está do Cristocentrismo marcante que deve caracterizar o mesmo. O Deus Soberano e Supremo da Bíblia está sendo esquecido em nossas ênfases evangelísticas e o humanismo e o pelagianismo avassalam as mentes dos nossos crentes.

O diabo que é o maestro do falso evangelho, rege nas filosofias e tenta engendramentos capazes de afugentar a fé na verdade. Devemos lutar como diz nosso amado irmão Judas em sua carta, pela fé entregue a nós. O inimigo de nossas almas usa essa instrumentação para não haver defesa na luta. Um evangelho humano sucumbe ainda mais os enfraquecidos ouvintes carnais; e não vivifica os que estão nas garras da morte(cf João 5.25; Ef 2.1). Não é essa nossa vocação! Nossa vocação é o Evangelho da Glória de Cristo!

Na guerra que as trevas travam contra nós, o alvo principal são nossas convicções. E também por elas precisamos defendê-las na luta. A nossa Fé diante dessa luta é que vence o mundo disse o amado Ap João. O falso evangelho está incluído na vedagem que as trevas promovem na mente dos incrédulos; ele confunde, para não manifestar o verdadeiro (cf II Cor 4.4).

O povo de Deus fica desarmado do capacete da salvação e do escudo da fé. A mente fica entenebrecida com a confusão do evangelho humanístico; evangelho de uma salvação tipo “salve-se quem puder”. Os crentes estão doentes porque a fé não está saudável, porque a água que bebem não mata a sede. O pão que comem não é o que desceu do céu, mas aquele que encontram na terra seca do deserto. Correm atrás das novidades e das sensações, dos sinais, mas não seguem a fé do Deus que é Supremo e Soberano.

O Ap Paulo exorta-nos: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados...” (cf Col 3.12). Aí está uma ordem muito oportuna para nós hoje e para os crentes desesperançados e confusos de nossos dias.
Os crentes precisam se revestir! Revestir-se do que? Desta idéia que é uma atitude de fé real! Esse revestimento é o capacete da salvação. Crentes duvidosos de suas salvação são doentis e confusos. Além disso são fracos e se enfraquecem mais ainda. Toda dúvida vem do pecado; e tudo que não procede da fé é pecado; a dúvida é o naufrágio da fé.

A doutrina da eleição tem que ser ensinada nos púlpitos porque ela coloca o homem na sua posição correta de impotência e limitação. Ela não engana com bajulações no ego, iludindo-o que ele é capaz de vencer o intransponível abismo do pecado e da natureza humana. Disse Abraão para o rico que há um “abismo” entre nós e eles; um grande abismo entre a sepultura humana e o seio consolador que Deus dá aos seus santos.
A doutrina da eleição exalta o Deus Soberano e Supremo que por sua graça poderosa e restituidora executa um trabalho e batalha uma guerra que jamais caberá ao homem vencer. O seu plano de vitória predestinado ou preordenado ao homem é uma das grandes ênfases da doutrina da eleição.

A eleição mostra que Deus nos ama, não porque viu algum mérito em nós, mas por pura graça e amor. Enquanto os crentes enfraquecidos e decepcionados com o humanismo na teoria do “super-crente”, levam rasteiras do diabo; os que erguem-se nas asas do Deus Todo-Poderoso estão revestidos como eleitos, santos e amados de Jeová.
Essa doutrina mostra o amor incondicional e imensurável de Deus. O amor anima qualquer alma decepcionada e cansada de suas tentativas. Por isso que Deus diz que “nunca te deixarei, jamais te abandonarei”(cf Heb 13.5).

O crente revestido da idéia do “tudo-posso por mim mesmo”; cai decepcionado na primeira tentativa de salvar-se ou andar pelo caminho direito. Mas se Ele se revestir da fé “tudo posso naquele que me fortalece”, isto é, dentro da fé verdadeira que vence o mundo, assim ele vive mais que um vencedor! Principalmente se ele ler e crer – pela pregação da doutrina da eleição, como fez Paulo – o que diz Romanos 8.31-39.

Ou você crer no evangelho dos “super-crentes” ou no Evangelho do Super-Salvador Jesus Cristo de Nazaré para glorificar Deus Pai! A doutrina da eleição glorifica a Deus e humilha o homem; revela que qualquer esforço é inútil a não ser que se dependa rendidamente ao Supremo Deus! O caminho do evangelho condicional é a decepção aqui ou no povir! Ou nos rendemos ao Salvador ou vamos continuar na luta da “pata-cega”.

Nós nos revestimos como amados de Deus quando descobrimos a doutrina da eleição, que diz que o plano de vitória dos que estão em Jesus é sustentado pela palavra de seu poder (vf Heb 1.1-2).

A vitória da obra de nosso Salvador e Senhor realizada, é a vitória de Deus agraciando os eleitos, santos e amados dEle de todas as épocas e eras. Os tais jamais perder-se-ão eternamente, jamais serão tomados das mãos de Jeová; serão preservados e jamais lançados fora(cf João 6.37-40; 10.27-29).

Se o pecador que ouve a doutrina da eleição for incapaz de crer nela - como espinha dorsal da mensagem - ele também é incapaz de se humilhar do seu orgulho natural e, tristemente também incapaz de render-se ao Supremo Senhor e Salvador Jesus Cristo. E por conseqüência, ele permanece orgulhosa e eternamente perdido! Se o crente está ouvindo e crendo num evangelho que não é o da glória de Cristo, mas o das boas obras humanas, ele é crente em si mesmo e não verdadeiramente no Salvador. A doutrina da eleição limpa as nossas mensagens evangelísticas das boas obras humanas e exalta a graça mediante a fé (vf Ef 2.8, 9)

Um dos alvos principais do inimigo desde o Édem é fazer os homens desacreditarem e por isso desanimarem do amor de Deus! Acreditarem na blasfêmia do que o Deus Santo é! E Deus é Amor. E esse amor é demonstrado na obra do seu Filho! O crente desacreditando do amor de Deus Pai vai à busca vã de outros amores! Essa busca vã, é o caminho das trevas. Mas a Luz brilhou e, essa luz, é a vida dos homens; e a Luz é Nosso Senhor Jesus o Filho do Deus Vivo! (vf João 1.3). Nosso Senhor declarou que quem o segue não andará em trevas, mas terá a luz para a vida (cf João 8.12). Aleluia!!!

A doutrina da eleição revela também que nós somos povo de Deus; um povo santo, separado. Mas o nosso orgulho de super-crentes nos infama para nós mesmos à decepção. Não somos pecadores que lutamos para sermos santos, somos sim santos que lutamos contra o pecado. Não vamos viver santamente sem revestirmos nossas mentes com a fé que somos filhos; que somos amados; que temos uma identidade nova no plano infrustrável e firme de Deus para nós. Através da doutrina da eleição vemos que o plano de vitória que Deus tem para nós já foi firmado pelo sangue da Aliança de seu Filho Jesus e agora está sendo executado pelo Espírito Santo.

A doutrina da eleição gera verdadeiros adoradores. A fé em Deus na forma como a doutrina produz, promove a verdadeira reverência que é devida ao Nosso Soberano Jeová. Os crentes entendem por esta doutrina que Deus é soberano em usar como queira sua misericórdia; por isso, então que os condenáveis pecadores irão clamar desesperadamente por sua compaixão; pelo seu olhar.

A falta dessa doutrina na mensagem evangelística promove um relaxamento dos pecadores de se converterem urgentemente, esquecendo do tempo da oportunidade e da severidade de cair nas mãos do Deus Vivo (vf 2ª Cor 6.2; Heb 4.6; 12.22). Pois sua falta não revela a grandiosidade de Jeová com nitidez; e ainda não discorre do fato que Jeová escolhe por pura vontade própria que Ele têm! Isto é, Deus é que aceita o pecador; não é o pecador que O aceita. Por causa de justiça humana, não será, porque essa é considerada por Jeová como trapo de imundícia (cf Is 64.6). E quando Jeová requer justiça humana é daqueles que estão justificados pela justiça do Cordeiro. Pois aos que chamou, a esses mesmo justificou!(vf Rom 8.30).

É como disse Nosso Senhor Jesus Cristo de Nazaré: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (cf João 6.44); “E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido” ( cf João 6.65). E foi porque Jesus falou dessa verdade que muitos discípulos o abandonaram como vemos em João 6.66: “Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele”. Hoje muitos já deixaram o Senhor por causa dessa verdade, lamentavelmente!

Vamos ler, estudar e ensinar a doutrina da eleição em nossas igrejas. Não é a discussão se é condicional ou incondicional, mas de o que ela esclarece e alimenta as nossas vidas. Ela é importante pois vai gerar crentes saudáveis, humilhados, verdadeiros adoradores; livres da jactância. Não pensemos que esta doutrina gera crentes relaxados na santidade, pelo contrário, dentro do espírito da pregação, ela gera uma geração de crentes que buscam um mais alto grau de santificação e que se excluem da jactância, saindo e livrando-se da regência do veneno paralisante da serpente tortuosa. Amém.

(*)[Os Batistas e a Doutrina da Eleição, p.12. São Paulo: Ed. Fiel, 2009].

História Batista 1

Não Seremos entendidos se não formos Conhecidos

Vejamos que a nossa história diz muito sobre a prática batista moderna e evangélica fiel aos princípios que o Nosso Senhor deixou para sua igreja. Baseado no relato do historiador A.G. Dickens, no seu livro A Reforma, pg 131- 140-141, queremos chamar atenção:

=> “...Os anabatistas não tinham nenhum chefe espiritual, ...” - esse é um fundamental entendimento para todos nós. Cristo é o chefe das igrejas. Jesus é o Senhor de todas elas. Nesse relato se faz menção a chefes espirituais humanos. Os princípios, cultura, costumes etc, são baseados nos seus ensinamentos de forma a estabelecê-los na prática dos discípulos dEle. As igrejas imitaram e devem hoje imitar, reproduzir na prática os ensinos que o Mestre deixou. Hoje há muitos mestres, mas o Mestre das igrejas neotestamentárias é o próprio Jesus de Nazaré. Mestres contando histórias, mas que não devem ser chamados de mestres, pois o que Cristo nos ordenou é ensinar o que ele ensinou e imitar. Não devemos ensinar interpretações particulares, mas reproduzir os seus ensinos, inclusive na vida da igreja. Aliás ele ordenou que ninguém seria nosso Mestre, mas todos irmãos: “Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.”(cf Mat 23:8). Percebamos que o Mestre não deixou-nos outro mestre sucessor, mas incubiu aos seus representantes a repassar os seus ensinamentos aos novos alunos conforme dita seu comando: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado;” – Mateus 28:19-20ª. Cristo deixou o Espírito da verdade que guiar-nos-ia em toda ela.

Postado por Missão Batista do Caminho em 8/15/2009